terça-feira, 19 de novembro de 2013

O SER NEGRO

Sou negro
Gerações vivem em mim.
Meu sossego
É amar ser assim.

minha cor levanta ânimos
E discursa sobre mim.
É ainda estranho
que seja assim.

Palmares é minha glória,
Estimula a libertação.
Ela é sim, minha história
alegria dessa nação.

Quero isso todo dia
Não uma data congelada.
Verdadeira alegria
que não seja mascarada.

Não preciso ser aceito,
Basta-me o respeito.
De um dia não preciso,
Só quero meu paraíso.

OS ABDUZIDOS

 Abduzidos?Ás vezes acho que sim. Por que algumas pessoas somem sem
deixar rastros e não há quem as ache? Simplesmente somem.Para onde
vão?Para que galáxia ou sistema solar, dentre esses bilhões de
sistemas como o nosso?

Nunca me conformo com isso, tanta gente desaparecendo bem diante de nós, o tempo todo, todo dia. É só olhar os jornais ou sites especializadosem temáticas afins, que você vê o número de adolescentes e pessoas adultas, que de uma hora para outra somem. Será que é exagero meu em acreditar nessas "teorias" da conspiração, onde essas pessoas que somem sao vendidas, tiram seus órgãos e comercializam para quem tem dinheiro para pagar? Aprendi que nesse mundo em que nós vivemos tudo é possível, não duvido de nada mesmo. Acredito mesmo que pode haver outras vidas em algum planeta, mas não posso afirmar categoricamente que foram abduzidos. Será? Só sei que não há vestígios.
Lembro de uma lenda urbana que li num site, onde um homem é abordado por uma loira linda, escultural, em um certo bar, e o leva para o seu apartamento, onde ele, depois de dopado, é posto numa banheira cheia de gelo, e alguém tiram um dos rins dele; num bilhete, é dito que foi tirado dele esse  órgão e que ele vá logo para um hospital, pois dentro de pouco tempo o mesmo poderá morrer. Tirando as incoerências, essa história parece ter algum sentido, pois já foi divulgado na mídia um fato parecido. Mas se some tantas pessoas, por que as autoridades não fazem nada para investigar a fundo e acabar com isso de uma vez? Estranho.
E os bebês? Alguns de vez em quando somem também e nao se sabe para onde. Crianças e adolescentes somem diariamente, mães sofrem por demais. Na minha infância havia a história de um carro preto, o papa-figo, que pegava crianças e sumia com elas, a ponto de nossas mães fazerem medo à gente, dizendo que tomássemos cuidados com esse monstro. Era uma história que faz sentido. Ainda hoje isso existe.
Mas  o que me intriga é o sumiço de pessoas adultas, bem de saúde, que somem sem deixar rastros. ET''s de algum planeta próximo ou distante, de repente eles conseguem dobrar o universo e viajar a distâncias inimagináveis (segundo Einstein, os buracos-negros são uma espécie de atalhos para se  chegar a uma parte do universo mais rápido, como se fosse um papel dobrado onde as duas pontas ficam coladas, fazendo uma espécie de ponte entre elas) num tempo bastante curto. Será? Se não é isso, admitamos que pode ser algo estranho. Acontece tudo aqui mesmo.Só sei que pessoas somem todos os dias e a polícia poucas vezes descobre onde estão. O que fazer para que isso seja desvendado? Algum detetive já foi em busca de respostas? Se foi deve ter achado alguma resposta.
Lembro de um filme que assisti há um tempo, era antigo, de Bruce Lee, onde havia tráfico de órgãos humano por parte do vilão da estória. Colocavam pessoas dentro do gelo, pois era uma fábrica de gelo de fachada. Isso foi abordado em um filme que tem  mais de quarenta anos. Será que hoje não está acontecendo ainda? Tenho receio que alguma criança que eu conheça, suma, espero que não, pois para aparecer só se Deus quiser. Espero que algum dia isso não aconteça mais, a genética está bem avançada, os seres humanos praticamente estão sendo fabricados.
É preciso termos cuidados para não acontecer de sumirmos de alguma forma.Cuidado com quem senta perto de você no ônibus, cuidado com o que servem nos restaurantes, nas casas, nas festas, de repente... 

domingo, 17 de novembro de 2013

O FIM DA CORRUPÇÃO?

Finalmente os mensaleiros foram presos. Parece que algo está mudando no Brasil, pelo menos aparentemente. Uma coisa que por vários anos ficou sendo debatida na mídia do Brasil e de outro país, parece que finalmente teve um fim. Os tubarões foram presos e vão pagar, assim, esperamos, pelos seus crimes.
O Interessante nisso tudo é que eles roubaram milhões dos cofres públicos e demoraram tanto para serem presos por isso. Agora um ladrão desses que roubam um sabonete no presídio vai preso e pega dez anos de cadeia, como ja se ficou sabendo. Eles são muito mais perigosos, pois roubam milhões do país, tem curso superior, vivem bem, roubam somas tremendas, esses que deveriam ser considerados perigosos, mas não são. É o contrário. E eles ainda posaram de perseguidos políticos, como se estivessem sendo presos por causa de suas ideias; a mente deles está cauterizada, já não conseguem se arrepender do que fazem. são mesmo uns crápulas. querem ser tratados como heróis, coisa que eles não são nem de perto.
De tanto empurrarem a condenação com a barriga, se achou que acabaria em pizza, mas felizmente terão alguma punição. Vamos ver até quando serão punidos, se isso também não for um jogo. Para todos os efeitos, eles são bandidos como qualquer outro, perigoso como qualquer bandido, ou até mesmo pior, como ja foi dito acima. Devem ser tratados como tal, e esse negócio de relaxar prisão é uma vergonha, é relativizar o crime. Se não quisesse ir para a prisão, que fossem honestos, que utilizassem o dinheiro público com a mente sã, e não enriquecendo-se. Uma quadrilha da pior qualidade essa.
Teve que ter um ministro de coragem, o Joaquim Barbosa, o verdadeiro herói. Com certeza não deve ter sido fácil para ele fazer isso. Tem muito graúdo aí preparando alguma coisa para ele. Nunca fica barato; toda as vezes que isso acontece, alguém paga o pato, principalmente aquele que ousa enfrentar um sistema todo organizado para manter a corrupção. Vamos ver se isso vai ficar mesmo mudado, se rico vai ficar mesmo na cadeia. Todo mundo aplaudiu  as prisões deles, como se sentissem vingados pelo ministro do supremo Tribunal Federal, a vara de Deus para castigar os ímpios,termo que Isaías usou para Nabucodonozor, de Babilônia, levantado por Deus para castigar as nações de sua época. Todo mundo espera que isso seja algo para valer, e não algo isolado.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

MEU AMIGO FERIADO

Feriado.Proclamação da República, e eu em casa. Todo mundo indo para
praia, piscina, e eu em casa. Casa de praia, e eu em casa. Saco. Ás
vezes acho isso uma injustiça, não que seja da parte de Deus, mas do
Sistema,esse vampiro, que beneficia uns de mais, outros de menos, sim,
por que nem sempre é a pessoa culpada, nem Deus, mas o Sistema
vigente, que precisa que uns desçam, e outros subam.Já dizia Chico
Science: "...o de cima sobe, o de baixo desce." E outro: "homem
primata, capitalismo selvagem."
Vi como estava O BR 101, uma fila enorme, perto da Macaxeira então nem
se fala, toda aquela área. Confesso que invejei aqueles caras indo à
praia e a tudo de bom que a vida oferece, a vida deles, claro.
Estudar, muitas vezes, cansa, como diz Salomão em Eclesiastes, é
"canseira, e correr atrás do vento."
Aí pensei na nossa coisa pública, esse nosso Sistema, que
aparentemente é o melhor para nós, sem a Monarquia para impor seu
poder à força, sem ficar centralizado demais. E quem disse que nesse
atual sistema não há força, não há coisas que somos forçados a
fazer,como votar, como ter que pagar impostos, como ser dono de um
terreno, de uma casa, é algo relativo, pois o Estado é quem realmente
manda. Tudo é uma ilusão. Vivemos uma ilusão,nisso o budismo acerta, o
poder que temos é apenas uma cortina de fumaça, não fazemos tudo que
queremos, não temos tudo que queremos, por causa do Sistema, e por
causa das oportunidades que  nem todos podem aproveitar, por não ter
dinheiro, nem amigo na praça, e por outros motivos. Se bem que
oportunidades há que não precisamos ter dinheiro para ter elas. Estou
aqui filosofando, mas o que quero mesmo é
Ter um pouco dessa ilusão, como em Matrix, quando um dos que lutavam
contra o Sistema imposto, traiu os amigos para provar um pouco da doce
e gostosa ilusão de provar uma comida apetitosa, ou aparentemente
apetitosa. Não faço apologia a isso, é algo desprezível a traição de
toda forma. Vide Judas Iscariotes.
Imagino a burguesia curtindo as praias no Sul e Norte do estado. As
casas de praia bem próximas ao mar, as redes, as cadeiras estendidas,
os quintais grandes, os pés de caju, manga, e jambo cheios dessas
frutas, os sucos delas, os almoços nos quintais e nas varandas; à
noite, o luar, o clima gostoso, o cheiro de mar,a escuridão dele, os
barcos dos pescadores, a fogueira, o luau, os filmes, as leituras de
livro, tudo; a família reunida, os amigos curtindo, a paz, a alegria
de estar curtindo seu dinheiro de forma honesta, sem ter roubado o
Sistema, sem ter enganado ninguém, sem usar de subterfúgios, sem ter
feito as pessoas de idiotas para apenas ter lucro e manter o status
quo.Sim, há pessoas que como o personagem de Goethe,  vendem as almas
ao Diabo, e como Doriam Grey, fazem de tudo para se manter como
desejam. Penso que não é por aí.Mas talvez achem exagero ou fantasia
minha, isso que disse sobre pacto com as trevas. Elas existem, e nem
todos se dão conta disso. O mal não surge do nada, por si mesmo, nem o
Bem, mas há uma fonte primeira de todos eles.
Vejam só como divergir para falar sobre o feriado. Jesus disse que "a
boca fala do que está cheio o coração". Então é isso. Meu coração está
cheio de poesias, de filosofias, de coisas boas, como disse o
Salmista: "meu coração ferve de palavras boas". E coração aí não é o
órgão que fica no peito, mas toda a natureza do homem, tudo o que ele
é, todo o seu ser. Na Bíblia, na maioria das vezes quando aparece a
palavra coração, é isso que significa. Jeremias disse que "enganoso é
o coração do homem, mas do que todas as coisas, quem o conhecerá?",
pergunta o profeta, e ele mesmo responde: "O Senhor sonda os
corações..."
Bem olhem o que me levou a dizer o feriado. Queria tê-lo mais perto de
mim, que ele fosse mais meu a amigo, que  fosse mais terno comigo. Os
feriados são um parente distante, com o qual nunca troquei palavra
nenhuma. Mas um dia encostarei minha cabeça no seu seio, como fez o
apóstolo João no peito de Jesus, e aí seremos como velhos e bons
amigos.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A GATA SUMIU

Era uma gatinha linda, dessas amarelas. Apareceu lá em casa não sei como, acho que alguém perdeu ou levou ela e deixou perto de casa. As  meninas pegaram ela e deixaram-na  sala. Só bastou isso para a gata se acostumar e ficar em casa.
A gente não podia passar por ela, que ia atrás, pegando no pé, arranhando a gente, brincando com os objetos que achava, treinando caçadas. Ela parecia ficar triste quando a gente saía. Mas quando chegávamos, lá vinha ela atrás, para cima da gente, toda alegre.
Algumas vezes minha mulher tinha que tirar ela de cima da cama, de madrugada, pois a pimentinha vinha para a cama dormir também, provavelmente sentindo falta da mãe. Quando eu estava dormindo no sofá, a mesma vinha e ficava lá do meu lado. Manhosa toda. Até tiraram uma foto dela à mesa, tentando comer um pedaço de carne, pois as meninas acostumaram  ela a comer coisas diferentes da comida de gata que dávamos a ela. Mesmo tendo a comida dela, ao sentir o cheiro de carne ou outra coisa, lá vinha a gata miando. Só queria agora comida de panela, e  a dela ficava lá.
Até que um dia ela sumiu bem debaixo de nossos narizes. Nunca mais apareceu, cerca de cinco minutos ela foi levada não se sabe por quem. Apenas há suspeita da razão. desconfio que seja uma vizinha azeda, cujo marido faleceu há um tempo. Pode ser que tenha ficado infeliz e não aguente ver ninguém mostrar carinho para nem mesmo um animal; ou então a mãe do felino veio busca-la. Pode ser isso. O fato é que a gata deixou todo mundo triste com seu sumiço. Esse já é o quarto animal doméstico que perdemos em um ano. Veja só. Cachorro some, gato some. Acho que agora vou criar um rato de laboratório ou um hamister. Pode ser que não suma.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

TEORIA SOBRE OS MORROS

Olhando de cima do Alto do... em Recife. Percebi o quanto os morros são interessantes devido às suas topografias, o modo como foram feitos, e como eles são habitados. Chega a ser engraçado o modo como o povo utiliza esse espaço.
De onde eu estava fica outro morro, e um vale no meio dos dois, onde existe uma rua bastante comprida e movimentada, utilizada pelas principais linhas de ônibus que existe naquela área.
As casas,dispostas irregularmente umas sobre as outras, parecem brinquedos. Casas das mais diversas cores, tamanhos, de taipa, tijolos, umas na beira da barreira, outras afastadas dela. É claro que não tem nenhuma pessoa de posses por lá, se não, talvez não morasse no morro.
Minha teoria é que há uns dez ou 30 mil anos caíram muitos meteoros por essas áreas onde  hoje tem morros. Não existia nenhuma cratera, mas os altos era ligados uns com os outros, mas com o impacto dos meteoros criou-se uma grande cratera, dando origem aos morros. A impressão que se tem é que isso é um grande vulcão, pois alguns lugares, ruas e córregos, são rodeados deles, morros. Ficando aquele espaço como um córrego mesmo. Essas ruas, rodeadas de morros, parecem uma prisão, como se a gente estivesse dentro de uma caixa, feitos ratos.
 E, ao longo da extensão desses morros ha várias "ruas", na verdade ladeiras, que levam ao topo dele. É o "alpinismo" diário dos moradores, e creio que a maioria deles são mais saudáveis do que os que vivem na parte baixa, como Boa Viagem, Espinheiro, etc. Algumas ladeiras são esquisitas, mesmo de dia, e ha tantas bifurcações que não da para entender direito para onde elas vão, levam a qualquer lugar. Quem quiser se esconder de qualquer coisa, entrando nesses lugares ficará bem protegido.as rus formam verdadeiros limbos.
Se eu fosse o prefeito, e tivesse apoio para isso, pois o prefeito precisa de apoio, tanto dos vereadores quanto do povo, eu faria escadas rolantes para subir o morro. Algumas ladeiras parecem mais que estão em pé, mesmo para quem sobe andando é difícil. Em  algumas ladeiras os carros não sobem, a não ser os fuscas, pois eles são carros potentes, muito mais potentes que os de agora. Ja vi muitos carros metidos a besta porem a língua de fora numa ladeira pequena, quanto mais essas grandes. Bem, essas escadas rolantes nos morros valorizariam o lugar, o comercio, turismo; sim, turismo, os morros têm uma visão esplêndida, procurem experimentar. Haveria uma pequena taxa para manutenção das engrenagens, divididas entre os moradores da área, e quem fosse de fora pagaria um pedaço para subir pela escada rolante. Esse serviço funcionaria até a meia noite, e começaria às 6h00 da manhã, de segunda a sexta, no começo, e com o tempo, se desse mesmo certo, ficaria todos os dias. Creio que será uma revolução. Ajudaria quem quer levar os móveis, por exemplo. Apenas botaria os mesmos na escada rolante, e ele subiria numa boa! Todo mundo iria querer morar nesses lugares. Atualmente, para facilitar as mudanças, os móveis são levados para o alto e depois levados ladeira abaixo, dependendo da mediação de onde mora a pessoa.


J.M.Lou

O MEDO

Medo é algo tão extremo que impede a pessoa de ter um bom relacionamento com o outro, e quando tem  esse relacionamento, não se firma muito. Faz sofrer mesmo por antecipação.
Tive um medo uma vez viajar em ônibus por causa de assalto.Eu era criança, e um irmão meu levou meu outro irmão até à casa dele.Era noite, houve um assalto e um outro policial, talvez, eliminou um dos meliantes, vindo ele a falecer.Pronto.
Pobre com medo de andar de ônibus.Pense no ridículo da coisa. Só quem tinha carro era esse meu irmão mais velho, pois ganhava bem na época.
toda vez que eu viajava nesse tipo de transporte ficava com medo.Agora nem tanto, mas até uns anos atrás esse me do me pegou de jeito e me fez desconfiar de tudo que fosse gente no ônibus, bastava ter uma cara meio amarrada, roupa suja, e outras coisas ridículas.
Curei-me por que eu andava de ônibus o tempo todo. Era o jeito.Tinha que me deparar com isso o tempo todo;acho que ajudou a vencer esse temor.Havia outros medos que eu tinha que tive que enfrentar de todo jeito, e assim fui vencendo eles, mas outros ainda persistem. Pelo que me consta, o único homem realmente sem medo é o Demolidor, da Marvel. 
Quem vive com medo é um escravo, e não passa de um mero boneco nas mãos dele. Não cresce, não confia em si mesmo. Não tem nenhuma iniciativa quando pode, ou mesmo quando é ajudado.É um nada ambulante.Aconselho a todo mundo que tem medo a lutar contra ele. Proclame sua independência ou será um mero vegetal vivo.VIVA.

DE MARRÉ DE SI

Estava na aula da professora V., de linguística, e falávamos sobre as brincadeiras que algumas crianças cantavam antigamente, entre muitas.Fazíamos a leitura de um livro sobre a história dos almanaques no Brasil,de Margareth Park, muito interessante.E começamos  a falar sobre essas brincadeiras de infância. Não era como as crianças de hoje, que ficam horas e horas brincando no computador, ipads e similares, nos jogos como GTA, RPG, entre tantos. Uma prisão.
Na rua em que eu morava, as crianças brincavam o tempo todo na rua, raramente ficavam em casa, era uma festa só. Principalmente se estava aquele sol lindo, aquela tarde prazerosa, aquela beleza toda.
Nessa mesma rua havia uma família bem pobre, mais pobre do que alguns de nós, mas era uma família de caráter firme, de muito respeito. Não que pobre seja de mau-caráter, mas é só para enfatizar o jeito deles de ser. Se  me lembro havia três crianças, duas mulheres e um homem, fora o pai, não lembro da mãe.
A mais velha das filhas era bem ativa, muito inteligente. Era a líder nas  brincadeiras com as meninas. Uma brincadeira que ela adorava era uma que sempre ela cantava, que dizia:

Eu sou pobre, pobre, pobre
De marré, marré, marré
Eu sou pobre, pobre, pobre
De marré de si

Eu sou rica(o), rica(o), rica(o)
De marré, marré, marré
Eu sou rica(o), rica(o), rica(o)
De marré de si...

O tal marré, e marré de si, não importa como se escreva, é só uma transliteração onomatopéica sem sentido, já que essa canção é uma adaptação abrasileirada duma canção-de-roda francesa:
"je suis pauvre, pauvre, pauvre, je m'arrête, m'arrête, m'arrête,
je suis riche riche riche, je m'arrête ici."

Ela  saía cantando e dançando com uma graça fenomenal. Era muito talentosa. Ficava fascinado com o talento dela, sua impetuosidade, que me lembra o talento de Fernanda Montenegro, agora. Tamanho era sua capacidade. Era ainda uma criança de poucos mais de 11 anos, mas que capacidade!Mesmo quando ela cresceu mais, continuou brincando, pois as adolescentes agiam mais como crianças que como meninas dessa idade. Era ela que reunia todas para brincar, e a gente, os meninos, ficávamos vendo aquele teatro ao ar livre. Eu não sabia o que era teatro, claro, mas ficava admirando seu trejeito, sua eloquência, tudo. De alguma forma aquilo me encantava, não sei porque. O que era marcante nela, era que ela não só brincava, ela encenava mesmo, encarnava o personagem da brincadeira. Que lindo. Muito pouco se falava em namoro, em engravidar, era outra época mesmo. Não sei por que  razão sempre me lembro dela e suas brincadeiras. Não era só essa brincadeira que elas brincavam, mas todas elas tinha o toque genial dessa garota, ela amava o que fazia, não parecia que estava brincando, parece que estava num palco. Eu me deliciava admirando seu jeito singular de brincar.Talvez gostasse dela. 
Nem sua pobreza impedia de sua alegria irradiar para todos. Ela era como uma luz, que iluminava  todos nós e afastava a tristeza. Até os garotos  as vezes, entravam na brincadeira, embora depois fosse ridicularizado pelos outros. E havia um lá que sempre brincava, e não tinha nenhum trejeito, era muito esperto, isso sim. Ele queria era ficar mo meio das meninas, curtindo tudo. Naquelas tardes ensolaradas, era a hora que ela usava para esquecer as agruras da pobreza, as dificuldades do dia a dia, a falta de dinheiro de seu pai, e se entrega à alegria, ao êxtase, ao glamour. 
Belos tempos, aquele. Não sabia que estava presenciando um teatro de alta qualidade, e ao ar livre, naquelas tardes maravilhosas, quando um talento despontava, e que que, se fosse descoberta, iria ser uma luz ofuscante na constelação da dramaturgia brasileira. Fica, então a outra parte:

Eu sou rica(o), rica(o), rica(o)
De marré, marré, marré
Eu sou rica(o), rica(o), rica(o)
De marré de si...

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

ANIMAIS?

Animalesco.É isso. Animalesco mesmo o que acontece nos terminais de ônibus EM Recife. Por causa de um assento no ônibus  se estranha a própria família. Imagine você com uma criança no braço e na fila de uma linha de ônibus.E boa parte dos passageiros não está nem aí para sua criança de colo. Você na fila. Chega o ônibus e os animais empurram você a ponto de quase cair e ser pisado você e o seu filho pequeno, às vezes um bebê. Não se importam nem um pouco se vão derruba-lo. O que eles querem é apenas um lugar no ônibus. Não se importam se vão matar alguém. Note aí a inversão de valores num grau muito baixo.
Quando chega alguns ônibus, não esperam nem descer.sobem no mesmo instante em que outros descem, e ainda ficam cheios de direito, a ponto de se alguém reclamar, é capaz de levar no mínimo um murro na cara. Deixaram de raciocinar. Se por causa de um mero lugar no ônibus eles desrespeitam seu semelhante, o que não fariam por algo mais valioso? Gente assim me dá medo. Quem não respeita o mínimo, jamais respeitará o máximo. Medo.
E os funcionários do Grande Recife Transporte, que ficam nas paradas impedindo que desrespeitem quem está na fila? Só em existir eles ali ja é algo errado.Se esse povo fosse  ser humano haveria respeito. Mas o homem atual em sua maioria nao pode ser considerado ser humano, pois já não têm a característica de um ser humano. Nem pensa nem existe.
Um dia foi preciso a polícia ir lá para impedir eles, pois estavam ficando onde os ônibus passam. Nem esperam mais eles estacionarem nos seus lugares. ridículo. são gente vindo dos guetos, pois é  o que se tornaram os bairros da periferia após a implementação desse sistema de transporte. Parece que a ideia é dificultar o acesso dos pobres ao centro, aos guetos burgueses, e facilitar o acesso de quem tem carro. É isso.

MARVIN


Meados de 80. Onde morava sempre se escutava músicas da casa do vizinho, pois colocavam bem alto., e não havia ainda essa cultura de discar o190 para chamar a polícia por causa da zuada.
Eu ouvia, assim, muita música MPB,pois naquele tempo ela ainda tinha algum sentido, não como hoje, onde se ouve poucas de qualidade.  Muitos grupos haviam despontados: Titãs, Radio Taxi, Barão Vermelho... Letras lindas, mas vim a entender elas anos depois, pois ainda era uma criança na época.
Uma música dos Titãs falava bem forte para mim, não tenho certeza a razão que ela me fascinava tanto, mas me tocava pacas: Marvin, desse grupo. Tocava demais cara! A casa de onde o som saía ficava uns dez metros da minha e eles tocavam o som bem alto. Muitas vezes ficava do sofá só escutando viajando na  letra.Essa eu entendia bem. Marvin. Dizia o coro: "Marvin, agora é só você, eu fiz o meu melhor, e o seu destino eu sei de cor." Parecia que o conselho era para mim, talvez pelas dificuldades parecidas, minhas e do personagem da estória, que evocava uma vida sofrida. Parece que eu sentia no peito aquilo, e antevia um sofrimento pela frente. Era meu destino e do Marvin juntos. Caminhávamos na mesma estrada. E eu não cansava de ouvir a música, tão tocante era para mim. O pai de Marvin parecia meu pai, sofrendo para manter a família. Vejam como eu fazia a comparação. Talvez isso fosse uma razão forte para me sentir como o personagem da estória.
Eu não via apenas como uma música, de alguma forma eu via aquilo como uma profecia, uma lição de vida.As músicas evangélicas quase não evocavam temas assim, e eu as conhecia bem, fui criado na igreja Assembleia de Deus, vivia nos cultos e tudo o mais. Só um ou outro cantor cantava temas assim. Era tocante ouvir essa banda tocar. Não sabia de nada, nem tinha idade para conhecer eles, mas essa música ia lá no centro do peito e dizia para mim que aquele destino bem poderia ser o meu, tinha algo que ver comigo.
Marvin também era eu.
E ia seguindo escutando ela, gostando da lição de moral daquela estória. Uma triste estória, mas que era marcante. Anos depois vim a saber que o grupo se chamava Titãs, bem conceituado e que gravaram outras músicas também muito belas, Mas nenhuma me tocou tanto quanto Marvin e o seu destino duro como pedra.

OS SECURAS


Era uma festa só. De tarde começava, la pelas 15 h00. Multidão de meninos na rua brincando de pipas e papagaios.A rua era um colorido só, e a tarde tão bonita, parecia que pulava unto com a gente e mostrava os dentes amarelos.
A maioria de nós fazíamos pequenas pipas, feitas com papel de caderno ou livros velhos (ou novos, ja que não me importava mesmo com eles até então). E a linha era ou de costurar, ou pegávamos linhas de saco de feira, do tipo que carregava verduras como pimentão ou cebolas, que no caso éramos eu e meus irmãos que tínhamos, já que nosso pai era feirante no Mercado de Sao José. A gente ia desfiando as linhas entrelaçadas do saco e amarrando um nalho no outro, até formar uma linha de uns 20, 30 metros ou mais. Eu empinava mais as chalopas, como chamávamos essas pequenas pipas. Eu adorava. Ficávamos uns 30 garotos empinando chalopas e fazendo trelas com elas a tarde toda. Às vezes ficava presa nos fios, às vezes nos telhados, mas não desistíamos, sempre fazíamos outras.
Quem não gostava nada disso era mãe e pai, pois eles trabalhavam bastante na feira, e a gente vadeando, ou maloqueirando, como mãe dizia. Eu pegava os sacos que meu pai deixava, um dentro do outro, debaixo da cama, ou atrás do guarda-roupa e ia tirar eles para amarar um fio no outro e empinar.Passava horas desfiando, numa paciência de Jó. Depois fazia a chalopa e ia vadiar numa multidão de pirralhos espalhados ao longo da rua,um córrego, para bem dizer. Dos dois lados tinha altos e no final também, de modo que nós morávamos num verdadeiro buraco. 
Todos nós éramos viciados, mas havia aqueles que eram mestres no vício de empinar papagaio. Verdade que eu passava da hora de comer algumas vezes e levava reclamação. Mas havia um cabra lá que não tinha parelha. Era Colopito seu nome. Pense num viciado. Aquele era demais. Passava da hora de almoçar e ele empinando pipa. Meio dia em ponto! O cabra não tava nem aí. A gente almoçava, dormia, lanchava, e ele la empinando. De noite, e ele lá. Pense. Era o pior dos secões, era o nome dado a quem fazia isso, só pensava em pipa. Dizíamos que a pessoa estava com muita secura, adonzelado, pois até para nós havia um limite. Ele era um mestre na arte da dibicada, era o nome dado à maneira da gente conduzir o papagaio no céu, de modo que o levássemos de um lado para o outro. Além do mais ele pegava as pipas que torava. Era um duelo que consistia em passar a pipa com cerol na outra e fazer com que uma se torasse. Muitas vezes ele torava e amparava, fazendo a pipa dele ir em busca da outra solta no céu. Tinha que ser bom pra fazer isso. Colopito era mestre.
Meu negócio era só as chalopas, mesmo porque minha mãe não queria isso. Dizia que isso era negócio de maloqueiro, e eu apesar de passar o dia todo na rua, não era um. Mas eu era um deles.
Muitas vezes pegava os trocados que tinha e comprava linha de costurar das mais fortes para empinar as pipas. Como não tinha onde esconder em casa, por que minha  mãe não admitia, escondia fora de casa. Cansei de perder linha assim, pois um colega sempre olhava onde eu punha a linha e pegava pra ele. Depois que eu me liguei nisso. Fazer o quê?
Isso era todo dia, a semana toda brincando de pipas e  papagaios; e eu só nas chalopas. Algumas vezes era que eu punha umas paletas de pé de côco nelas, de modo que ficasse rígida e parecesse um pouco com uma pipa. Boa diversão aquela.
Ainda hoje tenho vontade de fazer umas pipas. Um dia retorno.