quarta-feira, 15 de junho de 2011

A NUVEM CINZA DA UFRPE

A incerteza está rondando o campus da RURAL. A ameaça de greve está pairando sobre os estudantes. Todos perguntam pela greve, que parece ser certa. Ninguém está querendo, essa é a verdade.
Os alunos estão perguntando aos professores se realmente vai ter, mas ninguém diz com certeza. Parecem que não querem desestimular os alunos a virem para as aulas. A coordenadora do curso de Letras, Sandra Melo, não soube responder. O professor Fábio não soube dizer. Se houver mesmo greve, o prejuízo não será pequeno. As grades curriculares dos cursos irão diminuir, e, no final, sobrará para os pobres alunos, que terão que correr muito mais para passar de semestre.
Os funcionários já estão lutando pelos seus direitos. Quem chega ao CEGOE vê logo eles se reunindo próximo à entrada. Estão sempre debatendo, divulgando suas reinvindicações. Dizem eles que estão há dez anos sem aumento. Muito tempo para uma classe trabalhadora. Mas e os professores? O que eles querem? Será aumento? Condições melhores de trabalho? Se houver greve saberemos o que desejam.
O medo e a expectativa sombria não deixam de acompanhar todos que frequentam as aulas. Todo mundo sabe que quando acontece isso os dias se passam nenhuma das partes cederem, tanto da parte do governo quanto dos grevistas. Os alunos sofrem por causa da demora, sabendo que a luta será maior do que eles enfrentam com as aulas normais. ­
Os alunos perguntam o que é que o DCE diz disso. Será haverá por parte deles algum protesto também? Seria bom se fossem nas classes também para dizerem alguma coisa­­­. Claro que eles estão a par de tudo isso. Não dá para entender a razão de não terem falado nada; nenhuma posição.
Os alunos torcem para que tudo seja resolvido. Na verdade o corpo discente nunca ganha nada com essas reinvindicações, e se ganha é quase nada. As insatisfações vão continuar; os protestos não deixam de acontecer; sempre haverá uma inconformação com alguma coisa. Claro que faz tempo que não há uma greve dos professores das federais. A coordenação da greve é do sudeste. Quando acabarem de negociar com o governo, e se não concordarem com o aumento que eles derem, aí então ela virá implacável como sempre. Os alunos terão que correr atrás do prejuízo que sempre teem.


terça-feira, 7 de junho de 2011

O PERIGO ESTÁ NA CURVA

O PERIGO ESTÁ NAS CURVAS

         O estudante que quer levar uma vida de estudo ou de bon-vivant tem onde descarregar essa vontade. As aulas e o Bar da Curva. É assim que chamam o local onde os estudantes vão festejar, principalmente às sextas-feiras. O primeiro lugar é nas dependências da Faculdade, o segundo é nesse bar falado acima. Num lugar há crescimento intelectual, no outro, outras diversões.

Sempre se escuta as músicas sendo tocadas, geralmente músicas que lembram uma gafieira. Tocam forró, xaxado, bandas de forró safado; são bem diversas as músicas. Tem estudante que sai no meio das aulas e vai “tomar uma”. Outros nem na sala chegam.  Nas sextas-feiras quem quiser participar é só esquecer os trabalhos, fingir que não tem nada para fazer e se deleitar numa cerveja Brahma ou Schin.  Ali acontecem as paqueras entre os estudantes, encontros diversos, e tudo o que acontece num point.

O perigo está nessa curva, e muitos vão a 100 por hora. Daí vão esquecendo-se de estudar, vão se viciando. O ideal é não exagerar. Se divertir, já que gostam tanto dessa diversão. Eu prefiro estudar e escutar uma música mais amena como um Jazz, Soul, pop de qualidade, Negro Spiritual e MPB. Nas curvas vão se adentrando e vivendo a vida deles. Que vivam, então. Mas cuidado com as curvas. As vezes elas se tornam perigosas.


DRUMONDEADA

Quando eu nasci, um anjo de luz,
Desses que vivem no céu,
Disse: "vai, Josias, sê grande na vida,
Contraria tudo, sê tu mesmo e vive teus sentimentos.
Viaja nas palavras e cultiva o amor.
Fala de tuas alegrias e tristezas,
Corre o mundo com tua caneta
E ama todos os que Deus te manda.
Toca a buzina na cidade
E mostra a todos a que vieste"!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

TUA BELEZA FEMININA

Teu rosto mostra beleza;


Teus olhos, destreza;


Tua boca é chamativa


E teu charme cativa.






Teu busto é suave


Adeja como ave.


Teu ventre é uma piscina


Nessa beleza feminina.






Inveja as moças


As curvas das coxas


E a perna escultural;


És de classe, és ideal.






Por isso vejo-te menina


Como o modelo certo


Com nexo,


Da beleza feminina.











NEFASTA TRAVESSIA

Foi no primeiro dia de aula. Cheguei à UFRPE às sete horas para a aula inaugural, que seria no prédio principal, no auditório de lá. Informaram-me, porém, que seria no CEGOE. Claro que me informaram errado. Seria no primeiro prédio. Bem, eu estava no CEAGRI II; e agora, que fazer?,pensei. Não estava a fim de ir pela avenida, muito esquisita. Lembrei-me que havia uma estrada por dentro da RURAL, uma que levava direto para o CEGOE, do outro lado. Era próxima de um Restaurante bem conhecido por ali, o Mesa Farta.

Que péssima ideia a minha! Depois que resolvi ir vi a besteira que fiz. Aquela estrada era simplesmente inviável para andar só. Escura. Apenas uma estrada de barro. Já que estava lá, resolvi prosseguir. Cada vez que fui andando, mais fui ficando desconfiado com a estrada. O coração batendo rápido. Se aparecesse uma cobra, ou um morcego, ou alguma criatura esquisita? Ninguém sabe. Estava muito feia. Parecia que eu iria pegar na escuridão. Não enxergava nada à minha frente. Fui caminhando. Queria chegar logo, mas parecia que a estrada se esticava como um elástico. E se viesse um carro? Não havia espaço para ele passar direito, teria que ficar bem na beira da estrada. Se eu caísse ali poderia me ferir gravemente. E lá fui eu andando. A pressa de chegar era enorme. Só pensava no CEGOE. Pensava que seria lá a aula inaugural. Nunca dei tanta graças a Deus por chegar vivo do outro lado. Aquilo parecia um limbo. Lembrei-me de Dante na Divina Comédia. Foi só uma impressão minha.

Quando cheguei por lá, no auditório principal, a aula inaugural estava pela metade. O Reitor falou o que tinha de falar, o pessoal do DCE deu o recado; depois houve uma apresentação de Candomblé transvestido culturalmente. O pessoal de Garanhuns falou alguma coisa referente à luta e às eleições que os dissidentes muito criticaram. Cada um tentou arregimentar apoio para o seu lado.Depois fomos levados de ônibus para nossa sala. Uma bela recepção com alguns professores, dentre eles o  Juan Pablo,  fiquei sabendo depois disso, a humildade em pessoa. Orgulho por ser espanhol de nascimento, de Burgos... E olhe que a Espanha é um dos menos desenvolvidos na Europa... Apesar do todo medo e cansaço, foi bom. O ano prosseguiu bem. Estava, então, no Reino das Letras, depois de um bom tempo no gueto desse sistema, que peneira insistentemente as areias já tão peneiradas.Conheci ótimos professores, como a professora Valéria, de Linguística, Rose, idem, Claudia Roberta,Morfologia, Fábio Andrade,Literatura, e outros. Enfim, comecei a me deliciar com a comida que eu mais gosto: sopa de palavras.










quarta-feira, 1 de junho de 2011

NOSSO RESTAURANTE NA RURAL



Uma das coisas mais interessantes da RURAL (UFRPE) sem dúvida, é o restaurante universitário. Tem sido uma boa idéia isso. E o melhor é que muitos alunos comem de graça por dois anos ou mais; depois disso, dão lugar a outro.
A partir das 11 horas do dia começa a multidão a vir almoçar. Muita gente bonita. Gente de todo tipo, de todo lugar. Há os beneficiados com almoço ou janta grátis (só pode uma refeição por dia), e há aqueles que pagam a metade só. A maioria não pode pagar. Alguns vêm de muito longe, não trabalham, são de baixa renda. Dentre eles há quem seja inscrito nos programas sociais do governo. Merecem mesmo. Estudar com fome é uma das piores coisas que um estudante passa. Não ter dinheiro, por exemplo, para comprar uma pipoca sequer... Pense num sofrimento! Grande conquista essa!
Há alunos que comem muito, há os que fingem que não têm fome, e, para se mostrar educado, colocam no prato mesmo do que conseguem comer; alguns comem muito mesmo, descaradamente, como que para recuperar o que não foi comido em casa; há mulheres que se sentam do todo jeito, bem à vontade, mostrando partes interessantes do corpo. Comentam sobre tudo: prova, professor chato, professoras bonitas, garotas que ficam, as devassas, o time que perdeu...Muitas coisas...
Os que servem a comida também passam uma boa impressão para os frequentadores do Restaurante Universitário. Servem somente dois pedaços de carne por dia, para cada estudante um pedaço de sua escolha. A comida é bem variada; a bebida é durante  o dia, sucos de tulha, e, à noite, sucos e cafés. Servem também pão. A sopa é uma das comidas que mais atraem. Fazem de várias qualidades. A melhor que tem é a de couve, passado no liquidificador. É um cardápio atraente.
No almoço então, é uma multidão de gente. Um mar de cabeças enfileiradas ficam parecendo bandeiras redondas ao longo do salão. Para entrar, é uma fila quase que interminável. O que aborrece são uns engraçadinhos que furam fila. Pagam três, quatro almoços para os colegas, enquanto eles não vêm ou estão fazendo algo em relação ao curso. Aí chegam com a maior “cara de pau” e ficam nos seus lugares que foram guardados. Absurdo. A pessoa tem que se fazer de cego, que não está vendo nada. É bom manter a ordem, mas, para não haver discórdia,deixa para lá.           
Ir a esse restaurante é um prazer que ninguém deixa de ter. É bom. É viciante. Pena que não se pode comer as duas refeições de graça. Isso ajudaria aos estudantes a terem uma nota melhor.